HPV e fatores de risco para o cancro do colo do útero
O cancro do colo do útero é uma doença maligna que se desenvolve a partir das células do colo uterino, sendo causado, na maioria dos casos, pela infeção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV). O HPV é um vírus transmitido principalmente por contacto sexual e constitui uma das infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes no mundo. Embora muitas infeções desapareçam espontaneamente devido à resposta do sistema imunológico, algumas persistem durante vários anos e podem provocar alterações celulares que evoluem para lesões pré-cancerosas e, posteriormente, para cancro invasivo.
Diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença, incluindo início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, infeção pelo HIV, imunossupressão e ausência de rastreio periódico. Em Moçambique, a elevada prevalência da infeção pelo HIV contribui para um maior risco de persistência da infeção pelo HPV e para uma progressão mais rápida das lesões do colo do útero, tornando essencial a implementação de estratégias eficazes de prevenção e diagnóstico precoce.
A infeção pelo HPV não significa necessariamente que a mulher desenvolverá cancro. A evolução para a doença depende da persistência do vírus e da ausência de diagnóstico e tratamento das lesões precursoras.
Sintomas, diagnóstico e importância do rastreio
Nas fases iniciais, o cancro do colo do útero geralmente não provoca sintomas, motivo pelo qual o rastreio periódico desempenha um papel fundamental na deteção precoce das alterações celulares. À medida que a doença progride, podem surgir hemorragia vaginal fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais, corrimento vaginal persistente com odor desagradável, dor pélvica e desconforto durante as relações sexuais. Em fases avançadas, podem ocorrer perda de peso, anemia, dor intensa e comprometimento de órgãos vizinhos.
O diagnóstico das lesões precursoras pode ser realizado através de métodos de rastreio, como a inspeção visual com ácido acético (IVA), amplamente utilizada em programas de saúde pública em países africanos, o teste de HPV e o exame citológico quando disponível. A confirmação diagnóstica é feita por biópsia, permitindo identificar o grau de alteração das células e orientar o tratamento adequado.
O rastreio periódico possibilita identificar alterações antes do aparecimento do cancro invasivo, aumentando significativamente as probabilidades de cura e reduzindo a mortalidade associada à doença.
Prevenção, tratamento e controlo da doença
A vacinação contra o HPV constitui a medida mais eficaz para prevenir a infeção pelos principais tipos virais responsáveis pelo cancro do colo do útero. A imunização de raparigas antes do início da atividade sexual reduz substancialmente o risco de desenvolvimento de lesões precursoras e de cancro cervical. A utilização de preservativos contribui para diminuir a transmissão do HPV, embora não elimine completamente o risco de infeção.
A realização regular do rastreio permite identificar e tratar precocemente lesões pré-cancerosas, impedindo a sua progressão para cancro invasivo. Quando a doença é diagnosticada, o tratamento depende do estádio clínico e pode incluir procedimentos para remoção das lesões, cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou associação dessas modalidades terapêuticas. O acompanhamento médico contínuo é indispensável para monitorizar a resposta ao tratamento e detetar possíveis recorrências.
A combinação entre vacinação contra o HPV, rastreio periódico, diagnóstico precoce, tratamento adequado e educação da população representa a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência e a mortalidade por cancro do colo do útero, contribuindo para a melhoria da saúde da mulher em Moçambique.
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