Transmissão da dengue e da chikungunya e fatores de risco
A dengue e a chikungunya são doenças virais transmitidas principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, podendo também ser transmitidas pelo Aedes albopictus em algumas regiões. Esses mosquitos desenvolvem-se em recipientes que acumulam água parada, como pneus, latas, garrafas, baldes, caixas de água destapadas e outros objetos expostos ao ambiente. O aumento das chuvas, associado ao crescimento urbano e às dificuldades no saneamento básico, favorece a proliferação do vetor e aumenta o risco de surtos.
Embora sejam causadas por vírus diferentes, ambas apresentam formas de transmissão semelhantes e constituem importantes problemas de saúde pública em países tropicais, incluindo Moçambique. A transmissão ocorre exclusivamente através da picada do mosquito infetado, não havendo transmissão direta entre pessoas pelo contacto físico, tosse ou partilha de objetos.
A eliminação dos criadouros do mosquito representa a medida mais eficaz para reduzir a circulação dessas doenças e proteger a população contra novos casos.
Sintomas, diagnóstico e possíveis complicações
A dengue manifesta-se geralmente por febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, fadiga, náuseas e erupções na pele. Em alguns doentes podem ocorrer hemorragias nas gengivas, nariz ou pele, além de dor abdominal intensa e vómitos persistentes, sinais que podem indicar evolução para formas graves da doença e exigem atendimento médico imediato.
A chikungunya também provoca febre alta, porém caracteriza-se principalmente por dores articulares intensas, frequentemente incapacitantes, que podem persistir durante semanas, meses ou, em alguns casos, anos após a fase aguda da infeção. Outros sintomas incluem dores musculares, erupções cutâneas, cefaleia e cansaço. Apesar de apresentar menor risco de hemorragias quando comparada à dengue, a chikungunya pode comprometer significativamente a qualidade de vida devido à persistência das dores nas articulações.
O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica e de exames laboratoriais específicos capazes de identificar o vírus ou os anticorpos produzidos pelo organismo. O diagnóstico precoce permite orientar corretamente o tratamento e monitorizar possíveis complicações, sobretudo em crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças crónicas.
Prevenção, tratamento e controlo das doenças
Não existe tratamento específico capaz de eliminar os vírus da dengue ou da chikungunya. A abordagem terapêutica baseia-se no alívio dos sintomas, na hidratação adequada, no repouso e no acompanhamento clínico até à recuperação do doente. O uso de medicamentos deve ocorrer apenas sob orientação de profissionais de saúde, uma vez que determinados fármacos podem aumentar o risco de hemorragias em pessoas com dengue.
A prevenção depende principalmente do controlo do mosquito transmissor. A eliminação semanal de recipientes com água parada, a limpeza de quintais, a correta cobertura dos depósitos de água e a gestão adequada dos resíduos sólidos reduzem significativamente os locais de reprodução do Aedes aegypti. A utilização de redes mosquiteiras, repelentes, roupas que cubram a maior parte do corpo e telas nas portas e janelas também contribui para diminuir o contacto com o mosquito.
A participação da comunidade nas ações de controlo vetorial, associada à educação em saúde e à procura imediata de uma unidade sanitária perante sintomas suspeitos, constitui a estratégia mais eficaz para reduzir a transmissão da dengue e da chikungunya e proteger a saúde da população em Moçambique.
Comentários
Enviar um comentário