Formas de transmissão da hepatite B e fatores de risco
A hepatite B é uma doença infeciosa causada pelo vírus da hepatite B (VHB), que afeta principalmente o fígado. A infeção pode apresentar-se de forma aguda ou evoluir para uma condição crónica, aumentando o risco de cirrose hepática, insuficiência hepática e cancro do fígado. Devido ao seu impacto na saúde pública, a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir a transmissão e as complicações da doença.
A transmissão ocorre através do contacto com sangue ou outros fluidos corporais contaminados. As principais vias de transmissão incluem relações sexuais desprotegidas, partilha de agulhas e seringas, utilização de instrumentos não esterilizados em tatuagens, piercings ou procedimentos médicos, além da transmissão da mãe para o bebé durante o parto. A infeção também pode ocorrer por acidentes com materiais perfurocortantes contaminados. O vírus não é transmitido por abraços, apertos de mão, partilha de alimentos, tosse, espirros ou picadas de mosquitos.
Em Moçambique, a hepatite B representa um importante problema de saúde pública. A ampliação da vacinação, o rastreio de grávidas e a adoção de práticas seguras nos serviços de saúde são medidas essenciais para reduzir a propagação da doença.
Sintomas, diagnóstico e complicações
Muitas pessoas infetadas pelo vírus da hepatite B não apresentam sintomas, especialmente nas fases iniciais da infeção. Quando as manifestações clínicas surgem, podem incluir fadiga intensa, febre, perda de apetite, náuseas, vómitos, dor abdominal, dores musculares e articulares. Em alguns casos, ocorre icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos, acompanhada de urina escura e fezes claras, sinais que indicam comprometimento da função hepática.
A maioria dos adultos elimina o vírus espontaneamente após a fase aguda da doença. Contudo, uma parte dos indivíduos desenvolve hepatite B crónica, situação em que o vírus permanece no organismo durante muitos anos. A infeção crónica pode evoluir silenciosamente, provocando lesões progressivas no fígado e aumentando significativamente o risco de cirrose e carcinoma hepatocelular.
O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais que identificam os marcadores do vírus no sangue e avaliam o funcionamento do fígado. O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento clínico e reduzir o risco de complicações graves.
Prevenção, tratamento e controlo da hepatite B
A vacinação constitui a medida mais eficaz para prevenir a hepatite B. A vacina faz parte do Programa Alargado de Vacinação e deve ser administrada desde os primeiros meses de vida, conforme o calendário nacional. A imunização também é recomendada para adultos não vacinados pertencentes a grupos de maior risco de exposição ao vírus.
A prevenção inclui ainda a utilização de preservativos nas relações sexuais, a não partilha de objetos cortantes ou perfurantes, o uso exclusivo de material esterilizado em procedimentos médicos e estéticos e a realização de rastreio durante a gravidez para reduzir a transmissão da mãe para o filho. A segurança das transfusões sanguíneas e o cumprimento rigoroso das normas de biossegurança nos serviços de saúde também desempenham um papel fundamental no controlo da doença.
O tratamento depende da fase da infeção e do grau de comprometimento do fígado. Pessoas com hepatite B crónica devem ser acompanhadas regularmente por profissionais de saúde, podendo necessitar de medicamentos antivirais para controlar a multiplicação do vírus e reduzir a progressão da doença. A combinação entre vacinação, diagnóstico precoce, tratamento adequado e educação da população constitui a estratégia mais eficaz para diminuir a incidência da hepatite B e proteger a saúde pública em Moçambique.
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